Rock x Igreja

E ai galera! É o seguinte um leitor do blog me perguntou se ele pode gostar, ouvir e tocar rock e ser de igreja.
a resposta éééé……Claaaaaaaaaaro que pode! pode cantar tocar, ate quem sabe formar uma banda no grupo de jovens ai na tua cidadade ^^ O que a gente tem que entender é que tudo tem o seu tempo né, no grupo de jovens voce pode tocar o rock Católico mais pesadão, com muuita guitarra e batera! mas gente, na hora da missa devemos seguir a liturgia, ou seja as musicas legais mas nao muito exageradas ok?! podemos fazer um ritmo mais acelerado para as musicas que ja cantamos nas missas, isso tudo depende de voce falar com o padre ai de sua cidade, se ele liberar a sua banda pode tocar na missa *–* que massa né?!

Enfiim galera, deixo aqui um vídeo da Banda Iahwe, de Rock católica! e muuito boa por sinal!

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O PESO DE UMA DECISÃO

A nossa vida é formada por decisões, e, estas nos acompanharão sempre podendo nos levar a uma satisfação imensurável ou a uma lamentação profunda.

Em todas as situações em nossas vidas, teremos sempre escolhas a serem feitas, tudo no 50%, ou sim ou não e isto é realidade, podemos ao amanhecer escolher ir ao trabalho com uma determinada roupa, usar um determinado perfume, ao sair de casa, decidir qual o caminho a ser tomado e assim sucessivamente, no entanto, o diferencial de uma pessoa para outra é a reflexão sobre as decisões.

Todas as decisões acima, na maioria das vezes, não tem tamanha força de nos chatear, mas quando decidimos por exemplo, escolher um amigo, uma carreira, um(a) namorado(a), estas talvez necessitem de uma reflexão mais apurada, haja vista que qualquer decisão que tomemos, sempre haverá uma reação.

Quando escolhemos dentre 10 pessoas, uma para conviver, por exemplo, deixamos para trás 9 formas de viver a vida diferente, deixamos 09 oportunidades de vislumbrarmos lados que nunca veríamos. Quando escolhemos dentre as mais de cinquenta oportunidades de empregos existentes, deixamos as outras chances todas para trás, por isso o refletir sobre uma decisão é fundamental.

Vejo nos dias de hoje diversas jovens grávidas, que por uma decisão às vezes tomada pela paixão/desejo, e, não pela razão, alteraram 50% daquilo que poderia viver, digo isto por viver ao lado de uma amiga que pela gravidez deixou de viver inúmeras coisas.

A vida é feita de riscos, isto é fato, bem como sei que quem vence é somente aquele que tem coragem de oferecer a cara à tapa, mas existem riscos previsíveis, que poderiam ser evitados se colocássemos a razão, ou até mesmo não afastássemos as nossas convicções criadas desde infância.

Para agradar um amigo, já vi um jovem colocar um cigarro na boca e se tornar um viciado, para se enquadrar em um grupo, já tomei decisões que me magoaram por um tempo.

O ser humano é o único ser que erra mais de uma vez, neste sentido, para ficar mais claro, observemos um cavalo, se cercarmos o seu pasto com uma cerca elétrica, e, este encostar ali uma vez apenas, nunca mais aproximará daquela cerca, pois sabe o perigo que ela lhe oferece, mas o ser humano, pelo contrário, se viver uma situação que lhe amargurou, com certeza vai repetir aquilo por vezes até perceber que nada mudou, “burrice”? Nem sempre, acredito que mais pelo fato de não aceitar certas realidades.

Mas então, se tomamos decisões precipitadas em nossas vidas, o que devemos fazer? Acredito que o melhor remédio a ser feito é não colocar nos outros a culpa pelo seu “fracasso”, muito menos colocar este fracasso em uma “moldura” e pendurá-lo na parede da sala, para que possa lamentar sempre que o ver, mas sim refletir sobre o que foi feito e buscar forças para que não se repita.

Remoer uma decisão precipitada é se flagelar todo dia, mas refletir sobre a decisão é tentar entender o que deu errado, naquilo em que acreditaríamos que daria certo.

Para encerrar, em virtude do texto já está grande, cito o exemplo de Maria Madalena, mulher de vida fácil, à época de Jesus, que seria condenada por uma decisão, mas que na primeira oportunidade que pode se refazer, se tornou verdadeira seguidora de Cristo e exemplo vida e Santidade.

Uma decisão deve sempre ser tomada, as consequências desta decisão, devem sempre ser aceitas, e, caso a consequência não seja das melhores, apenas levante a cabeça e siga, na certeza que após uma noite temerosa, haverá uma amanhecer abençoado.

Que diferença estamos fazendo no mundo?

Meu irmão, minha irmã, eu peço que você leia com atenção o breve texto abaixo, que retrata um estilo de vida que muito nos diz respeito:

“Eles estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm sua cidadania no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas com sua vida ultrapassam as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, apesar disso, condenados; são mortos e, desse modo, lhes é dada a vida; são pobres, e enriquecem a muitos; carecem de tudo, e têm abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo tornam-se glorificados; são amaldiçoados e, depois, proclamados justos; são injuriados, e bendizem; são maltratados, e honram; fazem o bem, e são punidos como malfeitores; são condenados, e se alegram como se recebessem a vida” (carta a Diogneto, n. 5).
Você certamente já sabe a respeito de quem o autor está falando. Esse é um texto muito antigo, escrito nos inícios da propagação da fé cristã.
Nas origens, aqueles que eram “autenticamente” cristãos davam esse tipo de testemunho, tanto que muitos estudiosos, que se dedicam a analisar a vida das primeiras comunidades cristãs, atestam que a mensagem evangélica, a
fraternidade vivida nos grupos e o testemunho de santidade, indo até o martírio, levaram muitos a aderirem à nova religião.
Na sequência do texto, o autor diz: “Em poucas palavras, assim como a alma está no corpo, assim os cristãos estão no mundo”. Eles, os cristãos, davam vida ao mundo!
E com quem aprenderam a ser assim? Com o Senhor Jesus, claro! Sim, os cristãos, verdadeiramente fiéis, imitavam Jesus Cristo, tendo por base a Doutrina propagada pelos apóstolos.
E quanto a nós? Se alguém se dedicar a nos observar e retratar o nosso estilo de vida, hoje, como irá nos descrever? Nós, que somos católicos, que frequentamos a Missa, Grupos de Oração, que imagem passamos aos que nos conhecem, convivem conosco?
É necessário que façamos essa autoavaliação, porque temos o compromisso de dar testemunho de vida.  Esse é o primeiro meio de evangelização, como nos ensina Paulo VI (Evangelli Nuntiandi, n. 41).
Então, como estamos vivendo? Como temos conduzido nossa vida? Nossos pensamentos, sentimentos, ações são parecidos com os de Jesus?
Em quem nos espelhamos? Qual o papel dos Evangelhos em nossa vida? Eles pautam nosso agir? O que Jesus ensinou, nós buscamos fazer? Temos nos esforçado para isso?
Recebemos uma missão: ser “rosto e memória de Pentecostes”. Devemos mostrar ao mundo a face do cristianismo autêntico; não deixar cair no esquecimento o modelo de vida de nossos pais na fé. Isso é reimplantar uma cultura que já esteve fortemente presente na humanidade. Somos chamados a resgatar, na força que vem do alto, a “Cultura de Pentecostes”.
Somente cheios do Espírito Santo poderemos viver como Jesus viveu. Somente o Paráclito pode nos dar coragem para anunciar, viver o amor fraterno, a santidade. Clamemos sem cessar por sua presença, para que o mundo veja e creia.
Em Cristo,
Lúcia V. Zolin
Coord. nacional da Comissão e do Ministério de Comunicação Social da RCCBRASIL

Santidade e Namoro

Os jovens tem muitas dúvidas a respeito do namoro, por exemplo: qual a idade certa para começar a namorar? Para essa pergunta poderiam surgir varias respostas, já que os jovens estão começando a namorar cada vez mais cedo, talvez pelo incentivo da mídia ou por cobrança dos amigos .

Mas a verdade é que não existe idade certa para namorar, o importante é saber o porque você deseja namorar. Um namoro, de forma alguma, pode ser um mero passa tempo ou uma “aventura” ou porque você não quer ficar sozinho, mas tem que ser um tempo de conhecimento.

Um jovem só está pronto para o namoro quando ele começa a pensar em casamento. Isso mesmo! Em casamento! Mesmo que ele esteja longe. Nada tem sentido sem uma meta.

E, quando falamos em conhecimento, nos referimos ao descobrimento dos sentimentos de um pelo outro e não o conhecimento físico, pois o namoro não é lugar de viver uma vida sexual.

Devemos saber jovem, que o ato sexual é algo belo e criado por Deus, para ser vivido exclusivamente no casamento, entenda o sexo não é pecado, mas, se for realizado fora ou antes do casamento se torna pecado.

E ainda o sexo imaturo traz várias conseqüências como: gravidez indesejada, um possível aborto, risco de contrair doenças, fora o trauma que pode acompanhar tanto a mulher como o homem para a vida toda.

No namoro não existe ainda um compromisso “até que a morte os separe” é por isso que o sexo não pode ser vivido no namoro nem no noivado. Se você apanhar e comer uma fruta ainda verde, ela vai fazer mal a você, e se estragará. Se você viver a vida sexual antes do casamento, você só terá problemas e não alegrias.

São Paulo nos ensina: “a mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence a seu marido. E também o marido não pode dispor de seu corpo ele pertence a sua esposa”. (1 cor 7,4) Paulo não diz que o corpo da namorada pertence ao namorado e nem que o corpo do noivo pertence a noiva, a união sexual só tem sentido dentro do casamento.

Eu e minha esposa, vivenciamos isso com muita alegria, namoramos durante 3 anos e nos casamos, sofremos muito e confesso que foi difícil, mas Deus nos deu a graça de lutar e principalmente de se levantar em cada queda. e o que nos dava mais força era a oração, a consagração que fizemos a sagrada família e principalmente a eucaristia. Sem isso, jovem, é impossível de viver um namoro santo, Hoje estamos casados à 4 anos e 3 meses e estamos experimentando toda a alegria que Deus preparou para nós. E proclamamos:

É POSSÍVEL VIVER A CASTIDADE NO NAMORO MESMO COM TODO O MUNDO DIZENDO O CONTRÁRIO E COM VALORES TOTALMENTE OPOSTOS DA VONTADE DE DEUS.

Lembre-se, você é amado por Deus e tem grande valor, e hoje Ele te convida a viver segundo a Sua vontade, sendo santo como Ele é.

Texto: Henrique Dias

Tudo posso n’Aquele que me fortalece

“Tudo posso n’Aquele que me fortalece”. Não é uma frase por acaso, ela nasceu de um contexto.

Aquilo que não cai pela força do tempo é porque está fincado no chão com raízes profundas. “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” é uma frase bonita, todos nós teríamos o direito de dizê-la, mas para que ela realmente aconteça dentro de nós ela precisa ter bastidores, o tempo de preparo.

Por que a Igreja nos pede uma hora de jejum antes da comunhão? Para que nosso corpo se prepare para receber Jesus. O tempo de preparo é importante para o crescimento de uma pessoa.

A destruição do ser humano começa quando colocamos soldados para trabalharem de modo contrário ao que nos salva. Deus não tem outro desejo para a humanidade, a não ser salvá-la, para que esta possa dizer: “Tudo posso n’Aquele que me fortalece”.

Não existe possibilidade de sermos grandes como homens de fé se não soubermos viver o tempo da espera. O meu “tudo posso” está em conexão com minha atitude, eu acolho para minha carne o desejo de Deus para minha vida.

As forças que o enfraquecem batem à sua porta e são sedutoras. Para estar em Deus é preciso viver o exercício da vontade, e a graça de Deus fortalece a nossa vontade para que possamos dizer “não” ou “sim”.

Não há um ser humano “grande” sem preparo. Chega dessa ilusão de acharmos que chegaremos a algum lugar sem luta! O vício nos humilha, vemos no carnaval uma juventude bonita, mas humilhada. Homens e mulheres jogados pelo chão como se fossem animais; e retirar uma pessoa dessa situação é difícil, mas muitas comunidades, como Bethânia, fazem esse trabalho. Os traficantes só pensam em ganhar seu dinheiro, eles não estão interessados na capacidade de seu filho dizer “não” às drogas.

Nós nos esquecemos de que devemos nos preparar para ser pais, mães, ter uma boa família, assim como padre se prepara para ser um bom padre. Quando nós temos uma sociedade despreparada o resultado é catastrófico.

“Tudo posso n’Aquele que me fortalece”, essa frase tem que ter o sacrifício nosso de cada dia. Às vezes, acho que estamos amortecidos, as coisas ruins estão acontecendo e não fazemos nada. Não podemos fazer nada se Deus está fora de nossa vida.

Não adianta nada você oferecer a regra para quem não quer obedecer, se antes, você não oferecer amor a essa pessoa. Se o vício nos escraviza precisamos propor o que nos liberta. Quando você descobre que Jesus lhe ensina coisas boas, que não há nada melhor nesta vida do que saber que Ele o ama e lhe quer bem, você se sente bem.

Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória” (Colossesenses 3, 1-4).

Quando queremos alguma coisa, nós lutamos. O vício só vai embora, quando queremos ser libertos de verdade. Quer livrar-se da depressão? Queira isso de verdade, com todos os sacrifícios que serão exigidos de você para se libertar.

Nós, muitas vezes, queremos um Cristianismo “light”, uma vida “light”… Não queremos sacrifícios. Eu tenho medo da religião que nos acomoda. O nosso sacrifício de Quaresma, por exemplo, tem que estar ligado a algo em nós que precisa de mudança, nós sabemos aquilo que nos aprisiona e não nos deixa ir para o céu.

Eu quero alcançar a libertação a que eu tenho direito. Ninguém pode tratá-lo como lixo, por isso você tem que ser seletivo naquilo que entra em seu coração.

Onde seus pés estão presos? O que o impede de dizer “tudo posso”? Está lhe faltando preparo? Peça a Deus que o fortaleça para iniciar esse tempo de preparo em sua vida. Muitas vezes, só podemos dizer “tudo posso” quando alguém segura a nossa mão.

Fonte: Padre Fábio de Melo

A oração é a saúde da alma e do corpo parte III

O orante é aquele que tem livre acesso ao coração de Deus, entra e sai quando quer, e nunca entra sozinho, como também nunca sai sozinho, mas sempre revestido da mesma “formosura de Deus”. A geografia da oração é feita de “desertos“, onde experimentamos a completa “nudez e noite escura”, onde se caminha pela força da fé, apoiando-se no bastão da cruz. A oração é fixar o olhar no infinito e obscuro “tu és verdadeiramente um Deus escondido”,como diz o profeta Isaías. O deserto como espaço teológico da experiência oracional, não importa qual seja o nome do deserto: dor, sofrimento, incompreensões, cruzes, solidão, abandono, morte, doença. Deserto é o lugar onde não cabe mais que duas pessoas: você e Deus. Todo o resto é supérfluo e deve ser eliminado pelo processo de uma constante conversão.

Mas Deus é o sábio pedagogo que sabe dosar os sofrimentos e nos concede, portanto, momentos de oração que são fontes borbulhantes, lautos manjares e visões maravilhosas de uma alegria suave e incomunicável: paz, alegria, toques delicados da graça, sucessos, doçura e ternura do amor.

Para penetrarmos no drama da oração precisamos entrar na espessura da cruz, no cimo solitário do Calvário, onde o Senhor Jesus reza: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27,46); ou entrar na alegria do agradecimento, do encontro amoroso com o Pai: “Te louvo e agradeço, ó Pai, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25).

A geografia da oração é feita de desertos e mananciais, de montanhas ermas e solitárias e florestas verdejantes, de noite escura e de luzes… É o entrelaçar-se da vida, do amor e da cruz. Nada pode ser eliminado no nosso encontro com o Senhor.

Iniciar o caminho

A oração não é meta, é simplesmente caminho para se chegar a Deus. Não se pode transformar os meios em fim. Muitas vezes as pessoas confundem a oração com “Deus”. Mas a oração se faz necessária para poder dialogar com Ele e conhecê-lo melhor. É pelo caminho da oração que se vai chegando à nascente. Santa Teresa de Ávila, mestra de oração, desde sua infância, em formas diferentes, coloca um ideal diante de si: “Quero ver Deus”. E será esta profunda convicção e desejo que vão orientar toda a sua vida. Tudo renuncia, de tudo se despoja, tudo abandona. Nada que possa ser obstáculo ao seu encontro com Deus terá direito de estar presente em sua vida. Torna-se assim a mulher do essencial e do absoluto, que sabe, numa de suas poesias, sintetizar toda a sua teologia experiencial do desejo e da busca:

“Nada te perturbe.
Nada te espante.
Tudo passa.
Deus não muda.
Quem a Deus tem nada lhe falta.
Só Deus basta.”

O que muitas vezes nos afasta da oração na vida é não fazer de Deus o centro de nossa existência e buscar só a Ele e nada mais. Iniciar o caminho da oração é ter uma “determinada determinação” que não pode ser colocada em discussão por nada. Não importam os gostos, as consolações. “A minha única consolação é não ter consolação”, escreve Santa Teresinha do Menino Jesus. A oração não pode faltar na nossa vida se queremos chegar a uma harmonia interior. Temos à nossa disposição este caminho: o caminho do encontro e do amor pleno de um Deus que vem ao nosso encontro. Vamos iniciar o caminho!

Tente responder, com sinceridade e no íntimo do sacrário de sua consciência, a estas três perguntas:

1 – Deus – Trindade de amor: Pai, Filho e Espírito Santo – é o centro de minha vida, tudo dele procede e tudo a Ele volta?

2 – Que lugar ocupa a oração em minha vida; quanto tempo dedico por dia a este encontro amoroso com Deus?

3 – Por que rezo? Estou convencido de que a oração é a saúde de minha vida espiritual, humana e psicológica?

Fixemos o nosso olhar em Cristo Jesus, amigo e companheiro! Nele encontraremos todas as delícias de nossa vida. Ele é a fonte e o caminho de nossa oração.

por Frei Patrício Sciadini, ocd

A oração é a saúde da alma e do corpo parte II

A geografia da oração

Quando achava orgulhosamente que eu poderia ser “teólogo”, colocava-me uma pergunta angustiante e ao mesmo tempo soberba: “Para que serve ficar diante de Deus em silêncio, suplicando pelos problemas dos outros e meus, quando ao meu lado o mundo pega fogo, os homens passam fome, a injustiça vai aumentando e o mal avançando? Para que desperdiçar tempo precioso em “cânticos, orações, adorações” se é necessário agir, fazer algo para melhorar um pouco o mundo em que vivemos?” Estas perguntas e outras semelhantes sempre estiveram presentes e sempre existirão. Delas ninguém escapa. Mais cedo ou mais tarde, na confrontação conosco mesmos, assalta-nos a tentação da inutilidade da oração e queremos justificar tudo com o FAZER, embora defendamos a importância do SER.

A incoerência está presente na natureza do ser humano, faz parte da fragilidade e da carga pesada de “pecaminosidade” que carregamos dentro de nós; é uma realidade que nos acompanha ao longo de toda a existência: vemos com clareza o bem que devemos fazer e acabamos fazendo o mal que não gostaríamos de fazer. Diante da constatação de minha incoerência, há muitos anos, decidi fazer uma pesquisa que, se não me convenceu, ajudou-me bastante a clarear as idéias sobre o “mistério da oração”. Será que a oração é somente uma idéia fixa dos católicos, dos místicos, dos fanáticos, ou uma necessidade do ser humano? Dizem que, quando uma coisa se encontra presente em todos os seres humanos, é uma atividade humana indispensável e faz parte de sua estrutura fundamental. Assim, comer, dormir, pensar, amar, criar, viajar, conhecer, dialogar, rir, chorar…são atividades que encontramos presentes em todos os povos. Um elemento indispensável na vida humana, como tal é a Religião. Em nenhum povo – e você mesmo pode fazer esta pesquisa através de enciclopédias e dicionários – está ausente o fator religioso nos seus vários matizes.

É uma descoberta fascinante constatar que todos os povos buscam um relacionamento com o Senhor e fazem de Deus o centro da própria vida. Mesmo por caminhos nem sempre retos Deus se revela. Buscá-lo já quer dizer tê-lo encontrado. A oração nasce da consciência de nossapobreza. À medida que nos sentimos pobres, necessitados, vamos ao encontro da riqueza e da nascente da água viva que é o amor. O “Magnificat”, o canto de Maria, nasce de sua humildade e pobreza: “Deus olhou a humildade de sua serva” (Lc 1,43). Os místicos não têm medo de ser ousados quando falam de Deus como fonte de riqueza e de amor misericordioso. Agostinho, na sua ansiosa busca de Deus, diz: “nós somos os mendigos diante de Deus”. Estamos sempre de mãos estendidas, esperando que Ele venha em nosso socorro. Todo pobre, seja qual for a sua pobreza, tem plena consciência de que não tem direito a nada, que tudo o que recebe é dádiva, misericórdia. Assim é o doente que estende a mão para o médico; o mendigo que, à beira da estrada, pede um pedaço de pão; ou como o aluno que, na sua pobreza, pede que lhe seja comunicada a sabedoria… É preciso reconhecer que nos falta algo para sermos felizes e buscar tudo isso com profunda humildade; ninguém pode se aproximar e estar diante de Deus buscando ter “direitos” a fazer valer. Deus rejeita os soberbos e os orgulhosos; os ricos vão embora de mãos vazias e os famintos são saciados.

Sem dúvida, uma das santas mais ousadas nesta visão da oração como pobreza-riqueza será Santa Teresinha do Menino Jesus que, nas suas loucuras de amor, não tem medo de dizer: “Deus é o grande mendigo, Ele mendiga o nosso amor”. A fome que Deus tem de nós é infinita, por isso Ele tem sede que nós tenhamos sede dele. É Ele quem se abaixa no mistério da encarnação, que “deixando a tranqüilidade de estar no seio do Pai” através de um completo esvaziamento, uma Kénosis, Ele se reveste de nossa humanidade e caminha entre nós. Jamais, em nenhuma religião, nenhum Deus se fez “carne” para estar com a humanidade dia e noite e fixar sua morada entre nós. A oração se entende a partir da perspectiva: a) da riqueza de Deus e da pobreza humana; b) da “pobreza” de Deus e da riqueza humana. Uma pobreza divina que é extrema riqueza vem a nós, dando-se sem se esgotar e doando-se sem diminuir.